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    Os impáctos financeiros resultantes da greve dos caminhoneiros

    Greve dos caminhoneiros – Ponderações sobre os impactos financeiros da mobilização que parou o Brasil

    A greve dos caminhoneiros ocorrida em 2018 no território brasileiro durou apenas onze dias e, apesar disso, se apresentou como um dos marcos mais importantes da história recente do país.

    Com efeitos importantes no mercado financeiro, no imaginário e no posicionamento social e político dos brasileiros, essa mobilização de grande escala parece ter, ao fim, dito mais do que a grande imprensa acreditou à primeira vista.

    Com bloqueio em estradas e dificuldades de acesso dentro de praticamente todo o território nacional, a greve dos caminhoneiros impediu a circulação não apenas de transeuntes, mas também dificultou o acesso de entrada e saída de diversos produtos básicos, como materiais de limpeza e alimentação.

    O Brasil está ainda voltando ao seu ritmo normal, uma vez que os efeitos a longo prazo da greve continuam sendo sentidos por boa parte da população e das empresas de todos os tamanhos e localizadas em todas as regiões do país. Entretanto, a tranquilidade pode estar com os dias contados.

    Ao que tudo indica, estamos prestes a sofrer novas paralisações. Para os desavisados: um dos motivos fundamentais que levou ao fim do movimento entre os caminhoneiros foi o golpista… digo, presidente Michel Temer ceder às reivindicações dos grevistas e assinar uma tabela com valores mínimos para fretes. Entretanto, parece que o setor agrícola não ficou satisfeito com esse acordo e pressiona governo para voltar atrás em sua decisão conciliatória. Os caminhoneiros, por outro lado, ameaçam nova mobilização – ainda maior que a anterior – caso o acordo não seja cumprido.

    Descubra aqui os principais efeitos econômicos para o país calculados ao fim da greve que mobilizou todo o Brasil e descubra mais sobre o risco de enfrentarmos uma nova mobilização, dessa vez com apoio de outros setores de trabalhadores, para além dos caminhoneiros.

    Boa leitura!

    greve dos caminhoneiros

    Efeitos financeiros da greve dos caminhoneiros

    Os efeitos econômicos e financeiros advindos da paralisação dos caminhoneiros durante o primeiro semestre de 2018 demonstrou a potência e a força desse setor para o bom andamento e para a manutenção da saúde produtiva do Brasil.

    Infelizmente, o povo brasileiro não possui um governo acolhedor e atento às demandas reais e às necessidades de seus eleitores e de sua população. Por esse motivo, é cada vez mais difícil a conversa entre população e alto nível de representação política, em especial quando os representantes percebem-se como seres extra-população, isolados em suas bolhas de salão.

    Em outro cenário, onde o diálogo fosse possível e surtisse efeitos positivos sobre as necessidades da população, mobilizações e greves poderiam não se fazer necessárias. Entretanto, o contexto nacional atual parece demonstrar que essa é uma das poucas, talvez a única, forma(s) que o povo encontra para se fazer ouvir e se fazer enxergar.

    Com isso, o primeiro semestre de 2018 foi palco da maior mobilização popular dos últimos tempos: a greve dos caminhoneiros.

    Com o objetivo de chamar a atenção para as suas necessidades e de exigir melhores condições de trabalho, os caminhoneiros deixaram seus volantes, foram às ruas e… Estacionaram. Pararam o Brasil, literalmente.

    Montadoras, empresas aéreas e a indústria agropecuária foram apenas alguns dos setores prejudicados financeiramente pelas paralisações ocorridas em todo o território brasil, de leste à oeste, de norte à sul.

    Conheça um pouco mais dos efeitos dessa greve, dessa vez calculados na “ponta do lápis” – ou do Excel – pelos próprios representantes de cada setor.

    Indústria automotiva

    greve dos caminhoneirosA Anfavea, entidade que representa a indústria automotiva brasileira, calcula que sua produção caiu cerca de 15% no mês de maio, quando comparado com o mesmo mês do ano anterior, 2017.

    De acordo com seus representantes, a greve dos caminhoneiros foi um golpe para o crescimento desse setor. Isso porque a queda apresentada interrompeu uma história de 18 meses consecutivos de elevação nos lucros e na produção automobilística brasileira.

    A ironia dessa informação está, obviamente, no paralelo entre uma greve que luta por acesso ao combustível impactar tão fortemente na indústria responsável pela construção de automóveis.

    Sabemos que essa é uma indústria importante no território nacional, não resta dúvida. Entretanto, de que vale carros novos e em excelente estado para aquisição, e combustível inacessível à população?

    Construção civil

    A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima que a greve dos caminhoneiros foi responsável por uma perda de cerca de R$ 5 bilhões. Além disso, a organização acredita que pode levar quase um mês para que seu ritmo de trabalho volte ao normal, tamanho o impacto da greve sobre esse setor.

    A apresentação dos números é fundamental para percepção da força dessa mobilização, mesmo entre entidades que – à primeira vista – parecem não ter qualquer conexão com o tema reivindicado, como ocorre com a construção civil.

    Um setor que move mais de R$ 5 bilhões em 11 dias é, ao que tudo indica, um setor que poderá colocar-se contra uma nova mobilização, no caso da mesma se fazer necessária. Que tal ficarmos atentos aos próximos posicionamentos desse setor acerca de problemas sociais e de interesse público?

    Setor aéreo

    greve dos caminhoneirosDesde o primeiro dia de greve, o setor aéreo deu indicativos dos grandes problemas que estariam por vir, tendo boa parte de seus vôos cancelados. Com problemas associados à falta de combustível, as empresas aéreas estiveram em holofotes durante toda a greve dos caminhoneiros.

    A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa a Avianca, a Azul, a Gol e a Latam, estima que o prejuízo por dia de greve foi de cerca de R$ 50 milhões. Esse valor foi calculado a partir dos prejuízos ocorridos com:

    • Cancelamento de vôos
    • Pousos técnicos comumente não necessários para reabastecimento
    • Atendimentos a passageiros que deixaram de embarcar
    • Reembolso de passagens com seguro a passageiros impossibilitados de chegar ao aeroporto

    Sendo considerado um dos principais setores de comunicação internacional, os prejuízos associados ao setor aéreo foi mais um determinante para o mundo prestar mais atenção ao Brasil.

    Setor agropecuário

    O desabastecimento generalizado de frutas e verduras atingiu a maior parte do território brasileiro durante a greve dos caminhoneiros. Outros produtos alimentícios também fizeram falta no olhar atento da população ao  longo do período de mobilização.

    A Internet foi uma seara de manifestações sobre o assunto, uma vez que inúmeras publicações em redes sociais demonstrando a ausência quase que total de alimentos mesmo entre as grandes linhas de mercados fez com que o pânico e caos se instaurasse entre alguns brasileiros mais ansiosos e preocupados. Durante os 11 dias de greve, inúmeras pessoas foram aos mercados com o objetivo de estocar alimento e outros insumos básicos, como papel higiênico e ração para animais de estimação.

    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que a greve dos caminhoneiros gerou um prejuízo total de mais de R$ 3 bilhões ao setor produtor e exportador de:

    • Aves
    • Suínos
    • Ovos
    • Material genético

    greve dos caminhoneirosForam mais de 150 frigoríficas que interromperam total ou parcialmente suas atividades devido a greve dos caminhoneiros. Além disso, a organização afirma que mais de 60 milhões de aves adultas e filhotes – pintinhos – morreram durante os 11 dias de paralisação, devido a falta de ração.

    A morte por falta de alimento é trágica e deve ser combatida em todas as situações. Entretanto, salta-se aos olhos a quantidade de pessoas que ainda morrem por falta de alimento ou por falta de outras necessidades básicas em todo o planeta, mesmo em uma sociedade “livre de paralisação ou greve”, como na maioria do ano. Qual a justificativa para essas mortes?

    Vale ressaltar, ainda, que a diferença entre essas 60 milhões de aves mortas por inanição durante a greve e o restante das aves e animais tratados pelas mesmas empresas ao longo do ano – fora do período de greve – é a forma de assassinato. Ingenuidade não cabe nesse momento. Essas 60 milhões de aves seriam mortas de toda forma para, posteriormente, poderem ser servidas congeladas nas prateleiras dos maiores supermercados do Brasil.

    Infelizmente, a indústria agropecuária continua sendo uma das mais cruéis e criminosas do Brasil, apesar de todas as denúncias de maus tratos contra os animais e, inclusive, contra os funcionários – que sofrem diariamente com assédio moral e péssimas condições de trabalho, beirando à escravidão.

    As galinhas hoje ainda vivem isoladas em ambiente artificialmente iluminado para não terem noção do horário do dia. Sendo incentivadas a comerem mais que o necessário por mais tempo que o necessário, muitas aves sofrem com problemas de obesidade e condições de saúde semelhantes a obesidade e colesterol alto humano.

    Esses animais morreriam de qualquer forma, apesar da causa não ser inanição, obviamente. A diferença fundamental na morte desses animais está no prejuízo financeiro acarretado pelas mortes, uma vez que esses animais não gerarão o mesmo lucro que as demais aves assassinadas diariamente por este mesmo setor.

    Ameaça de nova greve: Entenda o que está acontecendo

    greve dos caminhoneirosPara que a greve dos caminhoneiros fosse encerrada, o governo necessitou voltar atrás em sua dureza e inflexibilidade e dar seu braço a torcer. Em outras palavras: Parece que mandar as forças armadas não adiantou de muita coisa, Temer, não é mesmo?

    Depois de inúmeros pronunciamentos alegando que não faria negociações com os grevistas, o atual – e medíocre – presidente golpista da república precisou sentar e conversar, sim, com alguns representantes do movimento dos caminhoneiros.

    Entre outras solicitações, os grevistas exigiram acordo sobre o valor mínimo para a realização de fretes, pauta levantada pela categoria há muitos anos. Com o objetivo de atenuar o cenário caótico nacional e finalizar a greve instaurada e já comentada em todo o planeta, Temer aceita assinar uma tabela com parâmetros mais justos no que se refere aos valores de fretes.

    Entretanto, parece que a indústria rural não ficou nada satisfeita com esse desfecho. Pouquíssimos dias após a greve dos caminhoneiros ser concluída, produtores rurais pressionam o governo para que o mesmo recue e reveja os valores apresentados na tabela.

    De acordo com os ruralistas, a tabela atualizada eleva os custos de frete em até 150%. Pelo posicionamento do setor rural, isso parece ser um sacrilégio inadmissível, mesmo quando a alternativa é um novo período de instabilidade e caos.

    Atentos a esse cenário que vem se desenrolando, os caminhoneiros afirmam que a reação virá em forma de nova – e mais forte – paralisação, caso a tabela acordada entre grevistas e governo não seja cumprida. Ivar Luiz Schmidt, do Comando Nacional do Transporte, afirma que a nova greve será pior que a anterior, caso a mesma seja necessária.

    Schmidt afirma que a primeira greve teve apenas 11 dias e demonstrou muito timidamente o potencial de uma paralisação geral em todo o território nacional. Caso o governo recue com sua palavra, o resultado será uma nova greve sem prazo definido para conclusão e com apoio de outros profissionais do transporte público e privado, como os motoristas de ônibus, metrôs e trens, motoboys e motoristas de aplicativos particulares.

    José da Fonseca Lopes, presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) concorda com Schmidt ao afirmar que “Esperamos encontrar um denominador comum que não prejudique o caminhoneiro. Caso contrário, podem esperar por uma nova rebelião. Dessa vez sem direito à negociações e melhor organizada”.

    Lopes teve papel fundamental na conciliação e encerramento da greve dos caminhoneiros e, por esse motivo, é uma figura que está tomando espaço no cenário atual ainda inconstante.

    Conclusão

    Com a indústria rural forçando de um lado e os grevistas mostrando firmeza do outro, o governo nada popular e sem nenhum tato para o diálogo parece estar passando por um sufoco, não é mesmo?

    Os prejuízos apresentados por alguns dos principais setores da indústria brasileira demonstram o montante de dinheiro produzido em território nacional que, infelizmente, não é convertido em benefícios para a população.

    Como foi a sua experiência com a greve dos caminhoneiros? Você acha que estamos prestes a voltar para aquela situação? Deixe um comentário e compartilhe conosco a sua opinião.

     

    18/06/2018 0 comentário
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