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Stephen Hawking: Muito para além da ciência

por Redação EstraBlog

Stephen William Hawking nasceu em 1942 em Oxford, cidade do Reino Unido. Considerado por muitos o maior cientista contemporâneo, Hawking foi o físico teórico e cosmólogo mais conhecido do século.

Com seu nascimento marcado exatamente no aniversário de 300 anos de morte de Galileu, Stephen Hawking foi professor lucasianoemérito na Universidade de Cambridge, posto ocupado anteriormente por ninguém menos que Isaac Newton.

Neste artigo você conhecerá esferas da vida de Hawking que ultrapassam as fronteiras da ciência. Saiba mais sobre a doença do cientista, sobre sua relação com os colegas pesquisadores e sobre sua vida familiar.

Tenha uma ótima leitura!

Hawking

Vida pessoal e familiar de Stephen Hawking

Quando achamos a matemática e a física teórica muito difíceis, voltamo-nos para o misticismo

Com pai biólogo pesquisador e mãe PHd em Astronomia e professora universitária, Hawking foi incentivado desde pequeno a trilhar o caminho da academia. Além de Stephen, Frank e Isobel Hawking tiveram mais 3 filhos, sendo Philippa e Mary filhas biológicas e Edward filho adotivo.

Stephen demonstrou interesse pela ciência desde pequeno, sendo esta as disciplinas favoritas do pequeno Hawking. Apesar de ser considerado a mente mais brilhante da atualidade, Stephen era considerado um aluno mediano no período escolar. As professoras o consideravam um bom aluno, mas não havia nada de excepcional em seu desempenho.

HawkingCom apenas 23 anos de idade, Stephen casou-se com Jane, em 1965. Jane Hawking era aluna de letras à época da união. Desta relação nasceram os três filhos do estudioso: Lucy, Robert e Tim. Stephen e Jane se separaram em 1991, depois de 26 anos de união. À época, Jane afirma que o maior obstáculo do casamento foi a ciência.

A Teoria de Tudo

Em “A Teoria de Tudo”, livro escrito por Jane, a autora chega a mencionar que a ciência é a pior das amantes. Nesta obra a ex mulher do cientista fala da dificuldade de manter uma relação saudável com um pesquisador brilhante, altamente renomado e intensamente ausente.

No ano de 1995, quatro anos após a separação com Jane, Stephen Hawking aposta em outra união matrimonial. Diferente do primeiro casamento, o astrofísico e Elaine Mason não tem filhos. Não tem diferente assim, esta segunda tentativa também termina em divórcio, desta vez em 2006.

Após o rompimento com Elaine, Stephen reaproxima-se da ex mulher e de seus três filhos. Apesar das dificuldades, o cientista tenta equilibrar a vida de investigação teórica e sua intensa rotina de viagens com uma vida familiar mais próxima, principalmente no que diz respeito aos seus filhos e netos.

 

Stephen Hawking e a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA): Conheça a doença que acometeu o maior cientista do século

Inteligência é a habilidade de se adaptar às mudanças. O conservadorismo, por ser contra mudanças, é o exato oposto à inteligência

Ainda na graduação de Física e com apenas 21 anos de idade, o jovem Stephen Hawking descobre que é portador de Esclerose Lateral Amiotrófica, também conhecida por ELA. Este é um diagnóstico degenerativo e extremamente raro. Mesmo em 2018, a doença continua sem cura. A melhor aposta para esses casos costuma ser tratamentos para prolongar o máximo possível a vida e bem estar do paciente.

ELA é uma doença caracterizada pela paralisia muscular. Apesar do corpo atrofiado, esta doença não atinge as funções cognitivas de seus pacientes, à exceção nos casos de comorbidades. Quando diagnosticado, os médicos acreditavam que Stephen Hawking teria apenas mais 2 anos de vida, em média. Esta estimativa foi responsável por diversas remodelagens nos planos do jovem, entre eles, a decisão de casar-se cedo com Jane.

Hawking e o sintetizador

Uma grande curiosidade sobre o cientista desconhecida por muitos de seus fãs trata-se do momento em que passou a fazer uso do sintetizador de voz. Em 1985, com 43 anos de idade, Hawking contraiu uma séria pneumonia. Isso o levou a se submeter a uma traqueostomia, intervenção cirúrgica bastante invasiva que tem como objetivo abrir espaço para a passagem de ar pela traqueia. Após este evento Stephen precisou do sintetizador de voz para se comunicar.

A Esclerose Lateral Amiotrófica o fez perder bem mais que o movimento dos braços e pernas. Esta foi a apenas a primeira fase da degeneração gradual de Stephen. Com o tempo, Hawking perdeu o comando de toda a sua musculatura corporal, de modo que sua mobilidade a ser considerada por muitos médicos como equivalente à nula. ELA atingiu Stephen Hawking com tanta intensidade que até mesmo a força para manter a cabeça erguida foi perdida, após alguns anos de diagnóstico.

Apesar da notícia desta doença avassaladora ainda jovem, o astrofísico teve uma vida longa e repleta de conquistas, desde a construção de uma linda família até o renome internacional e as premiações pelas contribuições para a ciência.

Contradizendo os melhores médicos do mundo, Stephen Hawking viveu até os 76 anos de idade e morreu apenas em março de 2018, devido a complicações advindas da esclerose.

 

Além da academia: A popularidade de Stephen Hawking

Não importa quanto a vida possa ser ruim, sempre existe algo que você pode fazer, e triunfar. Enquanto há vida, há esperança

Stephen Hawking é, sem dúvida, um dos nomes mais conhecidos da atualidade em todo o mundo. Mencionado ao lado de grandes cientistas, como Newton, Galileu e Einstein, a popularidade do astrofísico britânico rompeu fronteiras academicistas e chegou na boca de todos. E nos roteiros televisivos mais inusitados.

HawkingHawking foi mencionado em diversas mídia, dentre as quais se destacam:

  • Filme de Star Trek
  • Desenho The Simpsons
  • Desenho Futurama
  • Desenho Dexter’s Laboratory
  • Desenho Family Guy
  • Desenho The Fairly OddParents
  • Seriado THe Big Bang Theory
  • Jornal Dilbert
  • Comercial da Discovery Channel

 

Relação de Stephen Hawking com a comunidade científica

A prova de que no futuro não existirão viagens no tempo, é que não estamos sendo visitados pelos viajantes do futuro

Stephen Hawking é famoso em todo o planeta, em especial por seus achados e contribuições teóricas científicas em campos como física teórica, astrofísica e termodinâmica.

Ainda assim, há controvérsias sobre muitos dos seus resultados apresentados, em especial por outros pesquisadores altamente renomados que não tem papas na língua ao afirmar que “Stephen se comporta muito mais como uma estrela do que como um cientista”.

A principal crítica sobre Hawking se baseia na forma com qual seus resultados são apresentados. Diversos colegas da comunidade científica alegam que o problema não está nos achados do astrofísico, mas na ausência de provas convincentes.

De acordo com diversos estudiosos, Stephen Hawking fez alegações bastante polêmicas sem apresentar nenhum cálculo para as comprovar – o que, no meio acadêmico, é uma falta gravíssima. Alguns pesquisadores acreditam que o mesmo comportamento realizado por alguém “não tem pop” seria passível de rechaçamento público.

Conheça algumas das constatações de Stephen Hawking ausência de provas:
  • Em 2004, Hawking anunciou que solucionou o paradoxo da informação
  • Em 2014, Stephen Hawking afirmou que buracos negros não existem. Esta afirmação foi particularmente polêmica, uma vez que é consenso entre físicos do mundo inteiro a existência de buracos negros
  • Ainda em 2014, o cientista disse que a manipulação de Bóson de Higgs poderia destruir todo o universo. Dessa vez, porém, a comunidade científica não deu atenção às suas palavras
  • 22 anos antes, em 1992, Hawking menciona a descoberta de um planeta que orbita uma estrela fora do Sistema Solar. Esta afirmação foi particularmente polêmica, principalmente, porque confronta a crença estabelecida pelo grande Isaac Newton de que o universo não poderia ter surgido do caos

Homenagens, premiações e produção teórica do pesquisador que ganhou o mundo

Pessoas que se vangloriam dos seus QI são perdedores.

Ao que tudo indica, 14 é o “número da sorte”. Ou talvez seria mais adequado dizer “número da ciência”? – de Stephen Hawking.

HawkingDurante sua vida, Hawking foi autor principal de 14 anos, além de ter sido co-autor de diversas outras publicações. Além disso, o estudioso mais famoso da atualidade recebeu um total de 14 premiações e medalhas entre os anos de 1975 e 2012. O que é bastante significativo para qualquer pesquisador. Entre outros, destacam-se alguns prêmios, tais como:

  • 1979 – Medalha Albert Einstein
  • 1982 – Ordem do Império Britânico
  • 1985 – Medalha de Ouro da Royal Astronomical Society
  • 1989 – Título de Companheiro de Honra, da Rainha Elizabeth II
  • 2009 – Medalha Presidencial da Liberdade

Como se não bastasse, Stephen Hawking foi homenageado de uma forma à colocar inveja em muita gente. Ele recebeu nada mais, nada menos, que um asteróide com o seu nome, o asteróide 7672 Hawking, descoberto em 1995.

Além dos muros universitários: Hawking e o sistema capitalista

“Devemos temer o capitalismo”

Stephen Hawking é uma figura que deixará uma importante lacuna em aberto. Muito para além das suas contribuições científicas, o pesquisador é considerado em todo o planeta como um exemplo de superação e de esperança para o mundo. Proveniente de família humilde. Hawking sempre demonstrou força e vontade de viver, mesmo nos períodos mais delicados de sua doença.

Pacientes com esclerose ao redor de todo o mundo afirmam que o cientista foi uma inspiração não apenas pela sua garra e luta constante contra a doença. Mais que isso, Hawking mostrou que é possível enfrentar as barreiras impostas pelo diagnóstico e gozar de uma vida repleta de vitórias e conquistas.

Além das contribuições científicas e do exemplo de superação, Stephen Hawking foi um estudioso que sempre posicionou-se muito claramente sobre seu desacordo o sistema capitalista. Principalmente devido à sua perversidade natural.

Hawking

Alguns conhecidos de Stephen afirmam que o pesquisador sempre atuou com o objetivo de construir um mundo mais justo para todos. De acordo com Hawking, “o capitalismo não oferece soluções para os problemas da humanidade. Na verdade, o capitalismo não oferece nada além de desigualdade e crueldade”.

Vale destacar que Stephen Hawking repudiou a decisão covarde noite-americana de entrar em guerra com o Iraque e Vietnã. Apesar de não se considerar um ativista e nem um pensador radical, Hawking integrou o grupo de intelectuais que boicotou Israel pela ocupação do território da Palestina.

Diversos conhecedores de suas teorias e posicionamentos extra científicos afirmam que Stephen Hawking fez uso de seu intelecto e conhecimento científico de forma política, mas jamais partidária. O cientista reiterou inúmeras vezes  sobre as falhas gravíssimas do sistema capitalista e a sua incapacidade total e grotesca de dar conta das demandas básicas de humanidade.

Sistema racista

Assim como cientistas sociais e políticos de todo o planeta, Stephen Hawking sempre afirmou que o sistema baseado no lucro é excludente e altamente racista. O astrofísico mais importante da história atual argumenta que o desenvolvimento tecnológico é injusto quando resulta em maior exclusão social. Como o que vem ocorrendo desde que temos conhecimento.

Stephen relata que o estudo do campo da saúde, por exemplo, é fundamental para a descoberta da cura de diversas enfermidades e para a melhor qualidade de vida e bem estar social. Entretanto, quando as indústrias farmacêuticas utilizam essas descobertas para desenvolver medicamentos ou eletrônicos altamente caros e, consequentemente, disponíveis apenas para uma parcela extremamente restrita das pessoas é porque há algo de muito errado com os valores desta sociedade.

Muito questionados por fãs do mundo todo, Hawking sempre demonstrou cautela quando a questão é a inteligência artificial. Muito menos devido à tecnologia e muito mais devido à estrutura social atual, Stephen alerta que os avanços tecnológicos devem estar a serviço da vida humana e devem trabalhar para o mundo ser um lugar melhor e mais inclusivo, onde todos tenham direito aos benefícios trazidos pelas descobertas recentes.

Em 2016, já com 74 anos de idade, Stephen Hawking fez um debate em seu perfil oficial para o site The New Reddit. Sua reflexão foi publicada no site, na categoria de periódicos nomeada como Journal of Science – uma das ferramentas mais seguras de comunicação entre cientistas e comunidade.

Nada mais justo que finalizar o artigo com as palavras do próprio pensador. Veja parte de sua reflexão publicada em 2016:

“Devemos temer o capitalismo, não os robôs. Se as máquinas produzirem tudo o que precisamos, o resultado vai depender de como as coisas serão distribuídas. Todos podem usufruir de uma vida de luxo e prazer se a riqueza produzida pelas máquinas for compartilhada. Ou a maioria das pessoas pode acabar miseravelmente pobre se os donos das máquinas se posicionarem com sucesso contra de redistribuição da riqueza. Até o momento, a tendência parece seguir na segunda opção, com a tecnologia conduzindo a uma desigualdade cada vez maior. Eu não sei o restante da comunidade científica, mas a minha ciência não está a serviço da desigualdade e exclusão social”.

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